ZOHAR TZAV - ZOHAR HASULAM

A OFERENDA QUEIMADA

"Esta é a Torá do holocausto (a oferenda queimada)" (Vayikrá 6:2). Rabi Shimon abriu a discussão dizendo: "A tua justiça é como as grandes montanhas, Seus juízos são um grande abismo" (Tehilim 36:7). Nós já explicamos e aprendemos este versículo. Venha e veja: o holocausto (Heb. 'olá'; lit. "elevação") faz com que a Congregação de Yisrael se eleve e se apegue acima, e se una ao Mundo Vindouro, [Biná], para que tudo seja um, conectado em alegria. Uma vez que ela se eleva cada vez mais alto [para Biná], está escrito: "Esta é a Torá", que é o segredo de Macho e Fêmea juntos, [ou seja, Zeir Anpin e Malchut], que são a Torá Escrita e a Torá Oral, se elevando com amor [para Biná. "Esta" (Heb. 'zot') é o segredo de Malchut, a Torá Oral, e a Torá é o segredo de Zeir Anpin, a Torá Escrita].

Nós explicamos em relação ao verso: "Sua mão esquerda está sob minha cabeça" (Shir Hashirim 2:6) [pois Malchut recebe da coluna esquerda de Zeir Anpin]. Quando o lado norte se agita, [que é Guevurá de Zeir Anpin, a coluna esquerda; Malchut] então, eleva-se com amor para ser adornada com a direita [de Zeir Anpin, que é Chésed]. Ela, [Malchut], está ligada ao meio, [ou seja, a coluna central de Zeir Anpin, que é Tiféret de Zeir Anpin], e tudo resplandece dentro do segredo do Santo dos Santos, [Biná]. Isso acontece através do segredo do homem pelo desejo dos Cohanim (sacerdotes), [que são a coluna direita], pelas orações [dos Filhos de Yisrael, que são a coluna central] e pelo canto [dos Leviim (levitas), que são a coluna esquerda]..

Explicamos que a oferenda queimada é o Santo dos Santos, de acordo com o segredo do Espírito Sublime, [Biná]. Pois três espíritos estão conectados [à Oferenda Queimada]: 1) O Espírito Inferior chamado Ruach HaKodesh (Espírito Sagrado), [que é Malchut]; 2) O Espírito Intermediário chamado Ruach Chochmá u'Viná (Espírito de Sabedoria e Entendimento), [que é Zeir Anpin, o filho de Chochmá e Biná]. Ele também é chamado de "Espírito Inferior", [sendo inferior em relação à Biná], contudo este espírito sai do Shofar que inclui fogo e água; e 3) o secretamente escondido Ruach Ilaá (Espírito Superior), [que é Biná], no qual todos os Espíritos Sagrados são sustentados, [do qual] todas as faces brilham. A oferenda queimada torna-se, então, um verdadeiro espírito novamente.

Então, com o segredo do gado [oferecido, as forças externas] se alimentam e se contentam, de modo que outro espírito se unirá [à Santidade], um espírito dentre eles, um de Impureza, através do sebo da gordura sacrificada, como aprendemos. A oferenda queimada é, portanto, o Santo dos Santos, e o propósito de todos os outros sacrifícios é produzir paz em todo o mundo a partir de diferentes facções e dos antagonistas [no mundo] para removê-los e irradiar do interior um desejo de estar com cheiro agradável. Eles são chamados de "sacrifícios (Heb. 'kodashim'; lit. sagrados) de menor grau", uma vez que não são adornados acima no Santo dos Santos, [que é Biná]. Eles são, portanto, sacrifícios de menor grau e podem ser abatidos em todos os lugares, como explicado. Uma oferenda queimada, que é o segredo do Santo dos Santos, não é como os outros sacrifícios, porque tudo o que está ligado a ele é Santo.




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O HOMEM EQUILIBRADO E A OFERENDA QUEIMADA

Venha e veja: o homem também deveria [observar-se] de modo a ser equilibrado em relação aos estudantes da Torá. Assim, ele deveria pesar-se ao lado da Torá, [que é o Néfesh, Ruach e Neshamá Mental] e o lado dos membros no corpo, [que é o lado do Néfesh, Ruach e Neshamá Bestial]. Ele deveria observar-se de modo a ser equilibrado em relação a todos os povos do mundo. Conforme ensinado pelos sábios da Mishná, um homem deve sempre se ver como se o mundo inteiro dependesse dele. [Por conseguinte], ele deveria concentrar-se em seu Néfesh, Ruach e Neshamá, para torná-los em sacrifícios, juntamente com todos os habitantes do mundo. E o Santo, Bendito seja Ele, reúne um agradável pensamento para uma ação. Desta forma, "Hashem, Tu preservas o homem e a fera". Todos os Tanaim e Amoraim se levantaram em sua direção e disseram de uma só voz: Tu (Moshê Rabênu) és um Pastor Fiel e tens permissão para fazer tudo isso, porque tu és equilibrado em relação a todo Yisrael. O Santo, Bendito seja Ele, então lhe enviou entre eles. (Até aqui Rayá Mehemná).

"Esta é a Torá da oferenda queimada" (Vayikrá 6:2). Rabi Chiya disse: Nós explicamos este verso da seguinte maneira. "Esta é a Torá", é a Congregação de Yisrael; "a oferenda queimada" é um mau pensamento que ocorre ao homem, para afastá-lo do verdadeiro caminho; e "ela é a oferta queimada (Heb. 'olá'; lit.: 'elevação') (Ibid.), uma vez que ela sobe e acusa o homem. Ela deve, portanto, ser queimada por fogo, para não deixar que ela traga acusações. Portanto, estará "sobre o altar toda a noite" (Ibid.). O que é "noite"? É a Congregação de Yisrael, [nomeada no início do verso], "Esta", para purificar o homem desse desejo.

"Que deverá estar queimando" (Ibid.), [no Nahar Dinur (o Rio de Fogo)], uma vez que o Rio de Fogo é onde todos os que não são encontrados como deveriam estar estão queimando. Eles são trazidos para o fogo e seu governo é removido do mundo. Para que ele não tenha poder, deve estar "sobre o altar toda a noite". Ele é então subjugado e perde seu poder.

Está escrito: "E eis que Hashem passou, e um vento grande e forte fendeu as montanhas..." (I Melachim 19:11). O vento grande [é], como dissemos, [o vento da tormenta que permanece diante de tudo para guardar a Santidade, como o crânio protege o cérebro]. Também está escrito: "Mas Hashem não estava no vento; e depois do vento um terremoto (Heb. Ra'ash)" (Ibid.). [O que é o terremoto? É como] o mencionado no verso: "Então um espírito (também: 'vento') me levou, e eu ouvi atrás de mim uma voz de um grande estrondo (Heb. Ra'ash), [dizendo, "Bendita seja a glória de Hashem de Sua morada" (Yechezkel 3:12)]. Assim, grande tremor vem após o vento, [como o alvoroço de Eliyahu. É explicado aqui que o tremor foi porque eles disseram: "Bendita seja a glória de Hashem de Sua morada"]. "E depois do terremoto, um fogo". [O que é o fogo?] É como o que está no verso: "Um rio ardente surgiu e saiu diante dele" (Daniel 7:10). [Este é o fogo que Eliyahu viu].




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OS DOIS ALTARES

Rabi Aba disse: Há dois altares abaixo e dois altares acima. [Dos dois altares superiores], um é o mais íntimo onde o fino incenso interior é queimado, [que é] o vínculo da fé. O Sumo Sacerdote ata esse incenso ao vínculo da fé. Ele é chamado o altar de ouro, de onde o vínculo da fé é atado e oferecido, [que une tudo] em um único nó. O outro altar é chamado de altar de bronze. Está fora, e Michael, o Grande Ministro, sacrifica sobre ele uma oferenda salgada ao Santo, Bendito seja Ele. [Os dois altares] abaixo, [no Templo], são o altar de ouro e o altar de bronze, um para o incenso e o outro para o sebo e a porção dos sacrifícios.

Está, portanto, escrito: "Óleo e incenso alegram o coração" (Mishlei 27:9), e não "óleo, sebo e as porções do sacrifício alegram o coração". Embora eles [também] suavizem a Ira e o Julgamento, [como o óleo e o incenso, há uma diferença]. O óleo e o incenso, [que aludem a união de Chochmá e Biná - onde óleo é Chochmá e incenso é Biná] alegram tudo e não são do lado da Ira e do Julgamento, [pois eles não têm qualquer julgamento. O sebo e as porções do sacrifício não são assim, pois através deles a união entre Zeir Anpin e Malchut é feita. Deles não é dito "alegram o coração", porque o Julgamento pode se manter sobre eles]. Este é o altar interior, onde o mais fino incenso, [Biná, que é inconcebível por causa de sua fineza], está no vínculo da fé, [estando atado a Malchut, chamada 'Fé']. O altar é chamado de "uma voz silenciosa", sendo o altar interno que é amarrado pelo vínculo da fé.

O outro altar é chamado de "altar exterior". O interior é chamado "o altar de Hashem" e o outro é "o altar de bronze", como está escrito: "Porque o altar de bronze que estava diante de Hashem era muito pequeno para receber" (I Melachim 8:64). Rabi Yosi disse: [Isto é entendido] das palavras: "E todo o sacrifício queimado sobre o seu altar" (Devarim 33:10), que ["Altar" pode ser lido no plural, ou seja] dois. [Também está escrito: "Seus altares, Hashem Tzevaot" (Tehilim 84:4), ou seja, dois].

[Rabi Acha discorda de Rabi Aba e de Rabi Yosi, e diz: Há apenas um altar, que é às vezes chamado "interior" e às vezes "exterior", como foi dito antes. Ele diz]: Está escrito: "E Moshê construiu um altar..." (Shemot 17:15). Ele construiu isso em correspondência com o interior, então é chamado Hashem-Nissi (Lit. 'meu estandarte'), [uma vez que o interior é chamado 'o altar de Hashem']. Por que 'meu estandarte'? Porque ele inscreveu [e estabeleceu] a marca do sinal da Sagrada Aliança. Quando Amalek queria remover esta marca sagrada, [a circuncisão], de Yisrael, o altar, [Malchut], estava diante deles para se vingar desse sinal da Aliança. [Malchut] é, portanto, chamada "a espada vingando a aliança", e este [Malchut] validou essa marca sagrada em Yisrael. Moshê então construiu um altar para isso e chamou-o de 'Hashem-Nissi'. Este é o altar interior que se chama "uma voz silenciosa".

[Do altar interior, é dito]: "O fogo sempre arderá sobre o altar" (Vayikrá 6:6), que é o fogo sempre presente. O que é isso? É o fogo de Yitzchak, [ou seja, os Julgamentos da coluna esquerda, estão sempre presentes]. Então, [o altar] é chamado Adokai, [ou seja, do aspecto da Julgamento. Ele é então chamado 'o Altar Exterior']. Quando o sacerdote organiza essa madeira sobre ele, [a qual é chassadim, por qual a coluna esquerda é revestida], o nome [do altar] é perfumado e chamado pelo nome de Misericórdia, 'Hashem', com o nome de [o altar de Hashem. Ele é então o altar interno]. O altar, às vezes, permanece assim, [no aspecto do Julgamento, é então o altar externo], e às vezes está no [aspecto da Misericórdia, e ele é então o altar interno. Mas não são dois altares separados]. Rabi Shimon [discordou de Rabi Acha e] disse: "Há dois [altares], o interior permanecendo sobre o altar exterior e o exterior sustentado pelo interior, e ambos estão mutuamente ligados.




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TZION E YERUSHALAIM

Rabi Chiya e Rabi Yosi caminhavam juntos de Usha para Tiberíades. Rabi Chiya disse: Está escrito: "Pois Hashem escolheu (em) Tzion (Sião): Ele a desejou para a Sua habitação. "Esta (Heb. Zot) é o meu lugar de descanso para sempre; aqui Eu habitarei pois Eu a desejei" (Tehilim 132:13-14). [Ele pergunta]: Às vezes os amigos se dirigem [ao nome Tzion] no masculino, já que Tzion, [Yesod de Malchut], é Misericórdia. No entanto, aqui, a escritura aborda [no feminino, como escrito: "Ele a desejou para Sua habitação ... pois Eu a desejei]".

Rabi Yosi disse: Eu ouvi da parte da Butziná Kadishá [a vela sagrada - Rabi Shimon bar Yochai] que quando eles, Zeir Anpin e Malchut, acasalam e estão unidos, a fim de mostrar que a Nukva está incluído [em Zeir Anpin] em um todo, a Nukva é então chamada pelo nome do macho. Então, as bênçãos de Malchut permanecem e não há divisão alguma nela. Por isso, está escrito: "Sua habitação", no masculino. Também está escrito: "Pois Hashem escolheu em Tzion". "Em Tzion" é preciso, [o que significa dentro de Tzion, ou seja], o que está dentro dela e habita nela, [ou seja, o Yesod interno de Malchut]. Por isso, não diz "a Tzion", [que se referiria ao seu lado de fora. Portanto], tudo é um, seja no masculino ou no feminino, já que tudo é igual e do mesmo nível. [As Escrituras, portanto, a chama, às vezes, no masculino e, às vezes, no feminino, "pois Eu a desejei"].

Por isso, está escrito: "Mas de Tzion se dirá: 'Homem e aquele homem nasceu nela'" (Tehilim 87:5). É dito 'homem' duas vezes], um de Julgamento e outro de Misericórdia. [Yesod de Malchut, chamado "Tzion", contem dois aspectos, que são Julgamento e Misericórdia. Esse Julgamento nela é chamado "Yerushalaim" (Jerusalém)], ainda quando [Zeir Anpin e Malchut] estão unidos em uma nação, [Yesod de Malchut] é então chamado [somente pelo nome] Tzion. Tzion e Yerushalaim são então conhecidas dessa maneira, [com Tzion o lado interno de Yesod de Malchut e Yerushalaim o lado externo de Yesod de Malchut]. Assim, elas são interdependentes.




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A UNÇÃO DE AHARON

"Esta (Heb. zot) é a unção de Aharon, e da unção de seus filhos" (Vayikrá 7:35): Rabi Yosi disse: "Zot", [que é Malchut], é certamente uma unção de Aharon. Pois Aharon foi ungido [desde Chochmá]; ele atraiu para baixo o óleo da unção superior de cima, [de Chochmá], e o atraiu [para Malchut]. É devido a Aharon que [Malchut] foi ungida e abençoada com a unção sagrada. Portanto, diz: "Esta (Heb. zot) é a unção de Aharon e da unção de seus filhos", certamente.

Rabi Yehudá abriu a discussão com o verso: "E Elisha [Eliseu] lhe disse: 'O que eu farei por você? Diga-me, o que você tem em casa?'" (II Melachim 4:2). A partir disso, aprendemos que as bênçãos não residem em uma mesa vazia ou em algo vazio. "E ela disse: 'Sua serva não tem nada na casa, exceto um pote de óleo'" (Ibid.). [Elisha] disse a ela: 'Certamente isto foi feito por um milagre', [que você tem óleo, que alude a Chochmá], 'pois certamente ele está em seu lugar', [o lugar de Chochmá], 'de onde as bênçãos saem para repousar', [abaixo]. Está escrito: "Eles trouxeram os vasos para ela, e ela derramou" (Ibid. 5). Diz apenas, "ela derramou", [sem mencionar quem derramou, uma vez que se refere a Chochmá].

Rabi Yosi disse: "E o óleo parou de fluir" (Ibid. 6). Isso se assemelha às palavras: "No canto (quina) de Ben Shemen (lit. 'óleo')" (Yeshayá 5:1), ["canto" significando Malchut, e "Shemen" (óleo) significando Chochmá]. Também está escrito: "Por seu óleo que flui você é renomado" (Shir Hashirim 1:3), [que significa que o óleo, Chochmá, flui em seu nome, Malchut]. Isso mostra que desse óleo, [Chochmá], as bênçãos são atraídas para baixo pelos sacerdotes, e os sacerdotes a atraem para ungir Zot, [Malchut]. Por isso, diz: "Esta (Heb. zot) é a unção de Aharon e da unção de seus filhos", [que significa que "Zot", Malchut, é a unção de Aharon, que atraiu o óleo de Chochmá]. Também está escrito: "É como o óleo precioso sobre a cabeça" (Tehilim 133: 2). [O óleo é atraído sobre a cabeça de Aharon e flui para Malchut]. Nós já aprendemos isso.




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A SUPERIORIDADE DO ESTUDO DA TORÁ

Venha e veja: qual é a diferença entre aqueles que estão ocupados com a Torá e os [que estão ocupados com os] fiéis Neviim (profetas)? É que aqueles que estão ocupados com a Torá são sempre mais valiosos do que os profetas. Por quê? Eles estão em um nível muito mais elevado que os profetas, já que aqueles que estão ocupados na Torá estão no lugar chamado 'a Torá', [Zeir Anpin], que sustenta toda a Fé, [Malchut, que não tem nada a não ser o que Zeir Anpin lhe dá]. Os Neviim (profetas) estão abaixo, [abaixo do tórax de Zeir Anpin], no lugar chamado "Netzach" e "Hod". Aqueles que estão ocupados com a Torá são mais importantes do que os Neviim e são superiores a eles, pois estes estão acima e os outros estão abaixo. Aqueles que dizem coisas através da Ruach Hakodesh [Espírito Sagrado] são os mais inferiores, [uma vez que a Ruach Hakodesh é atraída de Malchut, que é a sefirá mais inferior].

Felizes são aqueles que trabalham na Torá, que são do mais alto nível de todos. Aquele que trabalha incessantemente] na Torá não precisa de "korban" nem de "olá", porque a Torá é melhor que tudo. É o vínculo da Fé de todo mundo, [o vínculo de Malchut]. Portanto, está escrito: "Seus caminhos são caminhos agradáveis, e todas as suas veredas são de paz" (Mishlei 3:17) e "grande paz tem os que amam a Torá, não há tropeço para eles" (Tehilim 119:165).

Tradução: Equipe 'A Luz da Cabala'
Fonte: Zohar Hasulam

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